Área: 950,00 m²
Local: Florianópolis SC
A partir da análise de uma área de estacionamento subutilizada, com aproximadamente 3.340,00 m², o grupo empresarial identificou uma oportunidade estratégica de ampliação de seu market share por meio da criação de um novo polo de comércio e convivência integrado à loja principal.

Assim nasce o projeto de um centro comercial modular, concebido para transformar uma área ociosa em um espaço dinâmico de interação urbana e fortalecimento da relação com a comunidade local.

O empreendimento possui 950,00 m² de área construída, distribuídos em dois pavimentos, estruturados a partir da utilização de 18 contêineres marítimos, sendo nove unidades por pavimento no modelo dry de 12 pés.

A adoção desse sistema construtivo modular permitiu não apenas agilidade na execução, mas também racionalização de recursos. Mas também uma linguagem arquitetônica contemporânea que dialoga com a ideia de reaproveitamento inteligente de estruturas industriais. Isso transforma elementos originalmente destinados à logística em espaços qualificados para uso comercial e convivência.

A materialidade do conjunto foi pensada para reforçar essa identidade contemporânea e acolhedora. A combinação entre estrutura metálica aparente, contêineres adaptados, decks em madeira e pergolados de sombreamento cria uma atmosfera arquitetônica que equilibra robustez e leveza visual.

Os amplos planos horizontais dos decks e passarelas elevadas funcionam como elementos de conexão entre as unidades comerciais, proporcionando percursos agradáveis e áreas de permanência que estimulam o uso prolongado do espaço. Ao mesmo tempo, o emprego de elementos vazados e coberturas leves favorece a ventilação natural e o conforto ambiental.

Do ponto de vista urbano, o projeto atua como uma estratégia de requalificação de um espaço anteriormente subutilizado, transformando uma área predominantemente funcional, voltada apenas ao estacionamento, em um ambiente ativo, permeável e convidativo à permanência das pessoas.

A implantação dos módulos comerciais foi organizada de forma a criar praças, eixos de circulação e espaços de encontro, permitindo que o empreendimento funcione não apenas como um ponto de consumo, mas também como um lugar de convivência cotidiana.

A proposta busca fortalecer a relação entre comércio e comunidade ao abrigar atividades de uso recorrente e serviços de proximidade, como lavanderias, barbearias, farmácias, espaços de autocuidado e pequenos comércios de conveniência. Essa diversidade de usos contribui para criar uma dinâmica urbana constante ao longo do dia, estimulando a presença de moradores do entorno e consolidando o espaço como um ponto de referência local.

Complementando essa vocação comunitária, o projeto também prevê áreas destinadas a eventos e atividades coletivas, capazes de receber feiras de produtores locais, encontros culturais e pequenas apresentações musicais. Dessa forma, o centro comercial ultrapassa a lógica tradicional de um conjunto de lojas, assumindo o papel de plataforma urbana de encontro, cultura e troca social, fortalecendo o sentimento de pertencimento da comunidade.

Mais do que um conjunto comercial, o projeto propõe a transformação de um vazio urbano em um espaço ativo e socialmente relevante, onde arquitetura, comércio e convivência se integram para gerar novas dinâmicas econômicas e fortalecer o vínculo entre empreendimento e cidade.

Arquitetura como catalisadora de encontros
Como um conjunto de unidades comerciais, o projeto propõe uma reflexão sobre o papel da arquitetura na ativação de espaços urbanos e na criação de ambientes que aproximam pessoas. Ao transformar uma área antes destinada exclusivamente ao estacionamento em um lugar de permanência, convivência e atividade econômica, a intervenção reafirma a responsabilidade do arquiteto em equilibrar interesses comerciais, qualificação espacial e integração com a comunidade. Nesse sentido, o centro comercial modular surge como um microssistema urbano onde trabalho, serviços, encontros e experiências cotidianas se entrelaçam, demonstrando que, quando bem conduzida, a arquitetura tem o poder de transformar vazios urbanos em lugares vivos e significativos para a cidade.