Área: 5.360,00 m²
Local: Florianópolis SC
Arquitetura para uma nova fase da marca
Algumas transformações começam pela identidade visual. Outras começam pela estratégia. As mais consistentes conseguem unir ambas.
O projeto nasceu em um momento de expansão e reposicionamento de uma rede supermercadista que, após anos de crescimento, iniciava uma nova fase de sua história. O desafio consistia em criar uma linguagem arquitetônica capaz de representar essa evolução e servir como referência para futuras unidades.

Nossa atuação passou um pouco do desenvolvimento desta edificação. Contribuímos também para a construção da nova identidade da marca, colaborando na definição dos conceitos arquitetônicos, das fachadas, dos layouts comerciais e da experiência dos clientes. Em paralelo, indicamos parceiros especializados em branding para contribuir com o novo caderno de identidade visual, permitindo que arquitetura e comunicação evoluíssem como um único sistema, juntamente com a empresa BButter.
Neste caso, ajudamos a estruturar uma metodologia que pudesse ser reproduzida internamente. Propusemos a criação de uma equipe própria de engenharia e arquitetura da rede, capaz de dar continuidade à expansão de forma autônoma, preservando os princípios definidos durante esta etapa de transição. Nosso papel passou a ser o de construir a ideologia do projeto, permitindo que a empresa ganhasse independência para crescer, mantendo sua identidade.
Arquitetura que fortalece a identidade
A nova fachada foi concebida para comunicar essa mudança de posicionamento de maneira clara e imediata.
Volumes simples, materiais industriais, painéis metálicos, madeira e grandes áreas de comunicação visual formam uma composição contemporânea que transmite robustez, proximidade e eficiência operacional. O projeto buscou equilibrar racionalidade construtiva com presença urbana, tornando a edificação facilmente reconhecível dentro da cidade e fortalecendo o valor da marca em cada novo ponto comercial.

Internamente, o layout foi reorganizado para melhorar a experiência de compra, otimizar os fluxos operacionais e criar setores com maior identidade própria, como a adega, a padaria e as áreas de conveniência, transformando o supermercado em um ambiente mais acolhedor e agradável para permanências mais longas.
A arquitetura também pode fortalecer comunidades
Um dos aspectos mais interessantes deste projeto surgiu justamente onde normalmente poucos enxergariam potencial: o estacionamento secundário ao fundo, local mais periférico e afastado da entrada principal.
Projetado para aproximadamente 150 veículos, o espaço foi pensado para atender plenamente aos períodos de maior movimento, mas também para assumir um novo papel nos dias de menor fluxo. A proposta prevê que parte dessa área possa receber feiras, eventos gastronômicos, apresentações culturais e iniciativas promovidas pelos próprios moradores do bairro, assim como um local de lojas de apoio ao fora do supermercado, com a estratégia de não concorrências, mas extensão e um hub comercial de serviços.

Essa estratégia amplia o uso da edificação para além da atividade comercial. Ao criar um espaço capaz de receber encontros da comunidade, o empreendimento fortalece seu vínculo com a vizinhança, gera novas oportunidades econômicas para produtores locais e transforma dias tradicionalmente menos movimentados em novas ocasiões de relacionamento entre pessoas e marca.
Quando um edifício consegue servir simultaneamente à empresa, aos clientes e à comunidade, ele deixa de ser apenas um equipamento comercial para tornar-se parte da vida urbana.
Arte como identidade local
Outro elemento importante do projeto foi a incorporação da arte como parte da experiência arquitetônica.
Em vez de utilizar elementos gráficos genéricos, optamos por inserir obras de um artista local em pontos estratégicos da edificação. Essa decisão aproxima a arquitetura da cultura do bairro, cria identificação imediata com a comunidade e reforça a percepção de que cada unidade pode possuir características próprias sem perder a identidade da rede.

Acreditamos que a arquitetura comercial não precisa ser impessoal. Quando incorpora referências culturais do lugar onde está inserida, ela cria pertencimento e transforma espaços de consumo em espaços de memória coletiva.
Layout pensado para permanecer
Em um supermercado, o percurso do cliente é tão importante quanto os produtos disponíveis nas gôndolas.
O desenvolvimento do layout buscou organizar a experiência de compra de forma intuitiva, reduzindo cruzamentos desnecessários entre fluxos e criando setores capazes de transmitir personalidade própria sem perder a unidade da marca. Os ambientes foram pensados para estimular diferentes momentos da jornada do consumidor, permitindo que compras rápidas convivam naturalmente com experiências de maior permanência.
Além de distribuir os equipamentos, o projeto procurou transformar a circulação em um percurso agradável, onde materiais, comunicação visual e arquitetura trabalham em conjunto para tornar a visita mais confortável e intuitiva.
Ambientes que valorizam cada experiência
A identidade dos setores internos foi tratada como parte essencial da arquitetura.
A adega recebeu uma linguagem própria, utilizando madeira, iluminação indireta e mobiliário desenvolvido especialmente para valorizar a exposição dos rótulos e criar uma atmosfera mais acolhedora, aproximando a experiência de compra daquela encontrada em estabelecimentos especializados.


Mezanino da Adega — Um espaço para compartilhar cultura
Para ampliar a área expositiva da adega, foi proposto um mezanino concebido como um ambiente de encontro entre a marca e a comunidade. O espaço nasce para receber experiências que vão além da compra cotidiana, transformando o supermercado em um local capaz de promover conhecimento, convivência e cultura gastronômica.

A proposta prevê a realização de degustações, encontros com sommeliers, apresentações de vinícolas, lançamentos de rótulos e eventos sazonais em parceria com fornecedores e produtores, criando oportunidades para aproximar consumidores do universo dos vinhos de forma acessível e acolhedora. Em vez de apenas comercializar produtos, o ambiente passa a oferecer experiências capazes de fortalecer vínculos afetivos com a marca.

Arquitetonicamente, o mezanino funciona como uma extensão natural da adega, permitindo que a operação diária permaneça eficiente enquanto, em momentos específicos, o espaço se transforma em um pequeno palco para experiências sensoriais. É a arquitetura atuando como infraestrutura para relações humanas, onde cada evento contribui para consolidar o supermercado como um equipamento urbano vivo, capaz de reunir pessoas em torno de interesses comuns.
Na padaria e cafeteria, o conceito foi o de criar um espaço que ultrapassasse a função tradicional de apoio ao supermercado. Grandes planos envidraçados aproximam o ambiente da paisagem externa, enquanto áreas de permanência estimulam encontros, pequenas reuniões e momentos de pausa durante a rotina da cidade. O supermercado deixa, assim, de ser apenas um local de abastecimento para tornar-se também um espaço de convivência.

Esses ambientes assumem um papel estratégico dentro do empreendimento ao ampliar o tempo de permanência dos clientes e fortalecer a relação emocional entre a marca e a comunidade.
Arquitetura como ferramenta de operação
Além da identidade visual, cada decisão projetual procurou responder às necessidades operacionais da rede.
A reorganização dos setores internos permitiu maior flexibilidade para futuras alterações de layout, facilitando a atualização de equipamentos e acompanhando a evolução das demandas comerciais sem grandes intervenções estruturais.
Os materiais foram especificados considerando resistência, facilidade de manutenção, velocidade de execução e durabilidade, características fundamentais para empreendimentos que precisam manter elevada eficiência operacional e reduzidos períodos de implantação entre uma aquisição e outra.
Essa racionalidade construtiva permitiu que a arquitetura acompanhasse o ritmo de expansão da empresa sem abrir mão da qualidade dos espaços e da identidade da marca.

Nossa visão
Na LY, acreditamos que projetar não significa apenas desenhar edifícios. Significa compreender pessoas, negócios, cidades e suas relações.
Quando arquitetura, estratégia, branding, operação e comunidade caminham juntos, cada projeto deixa de ser apenas uma nova construção e passa a representar uma nova etapa na história de quem a idealizou.
Este trabalho buscou contribuir para a construção de uma cultura de projeto dentro da própria empresa. A arquitetura deixa de ser apenas um produto entregue e passa a funcionar como ferramenta estratégica de gestão, permitindo que o crescimento da rede aconteça de forma consistente, coerente e preparada para os desafios das próximas décadas. Quando conhecimento é compartilhado, a arquitetura deixa de construir apenas edifícios e passa a construir organizações.
Brand Marketing / Design – Beto Butter
PROJETOS – RESIDENCIAL / COMERCIAL / INCORPORAÇÃO / CONTAINERS / INSTITUCIONAL&CORPORATIVO / PLANEJAMENTO URBANO MASTERPLAN